Mais de 500 demissões em Brusque
Algumas empresas da indústria têxtil de Brusque continuam apresentando problemas para cumprir com seus compromissos salariais junto aos seus colaboradores. O problema que já vem se arrastando desde o final do ano passado se agravou no começo de 2011. Após o anúncio no ano passado de que uma empresa nacional de grande porte teria comprado grande parte da matéria prima existente no país, e reajustado o valor deste material em aproximadamente 40%, as indústrias têxteis se encontraram em uma situação extremamente delicada, sem dinheiro em caixa ou capital de giro para suportar este reajuste.
Desde então as dificuldades tem sido as mais diversas. Em Brusque, existe ainda empresa que está sem pagar o 13º salário, férias, recolhimento do FGTS, e o salário do mês de dezembro em atraso, e sem previsão de data para honrar com os compromissos. Em entrevista a Rádio Cidade o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Fiação, Malharia, Tinturaria, Tecelagem e Têxteis de Brusque (SINTRAFITE) Aníbal Boetger, afirmou que desde o retorno das atividades no último dia 10 de janeiro, o sindicato tem realizado diversas reuniões com as empresas na busca de uma possível solução.
Boetger disse que desde o início da crise na área têxtil em Brusque já foram ajuizadas 500 demissões, e se não houver uma solução imediata para os próximos dias, o número de demissões deverá continuar em ascendência. O presidente do SINTRAFITE definiu a situação vivida pela indústria têxtil como "caótica".
Uma informação nacional divulgada pela Folha de São Paulo é que chegou ao Supremo Tribunal Federal o inquérito que envolve o ex-vice-presidente da República, José Alencar sobre uma transação comercial com indícios de fraude feita pela Coteminas, empresa de sua propriedade, e que há suspeita de que esta teria burlado um leilão de compra de algodão.
O caso voltou à tona agora devido a uma perícia feita pela Polícia Federal do Mato Grosso que, segundo informou a Direção Geral da PF, confirma que a operação foi fraudulenta. Segundo a polícia e a Procuradoria da República, as suspeitas são de "formação de quadrilha e estelionato".
José Alencar e seu filho Josué Gomes da Silva, que preside a Coteminas desde o fim de 2002, negam qualquer irregularidade na compra do algodão. Como José Alencar tem foro no STF, a investigação foi parar na Corte. O caso foi distribuído para o ministro Carlos Ayres Britto, que remeteu o inquérito à Procuradoria Geral da República, que vai decidir se dará continuidade à apuração. Pelo fato de o leilão envolver a Conab, uma empresa pública, a Coteminas já havia sido investigada, no fim de 2002 e em 2003, pela CGU (Controladoria Geral da União).
Nas duas ocasiões, o caso foi arquivado sob argumento de nenhuma irregularidade foi encontrada. O atual presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente, defendeu todas as operações realizadas pela empresa. Disse ainda que o pai não figura como investigado. Segundo ele, a Coteminas providenciou todos os documentos para o leilão e que tudo ocorreu "dentro da legalidade".